Traduções Abolicionistas

O Traduções Abolicionistas é um projeto com o objetivo de publicar, em português, textos de autores e autoras abolicionistas pelo mundo que em grande parte são desconhecidos pelo público brasileiro. A intenção é sair um pouco da Europa, tão privilegiada na recepção brasileira do abolicionismo penal, e conhecer novos horizontes abolicionistas. Buscamos sempre autores e autoras cujo pensamento esteja inserido em uma perspectiva internacionalista, anticapitalista e anticolonial.

Um ponto a ser destacado é que buscamos navegar entre o abolicionismo acadêmico (com traduções autorizadas, expandindo a bibliografia abolicionista disponível em português) e o abolicionismo como movimento social (privilegiando contribuições teóricas de autoras(es) envolvides, além da Academia, em organizações de militância e ativismo abolicionistas).

Em nossa realidade brasileira e latino-americana, a abolição do sistema penal é uma questão de sobrevivência. É urgente frear o genocídio da população negra, cujo símbolo mais bárbaro é a prisão. Prisão, esse trambolho capitalista-escravista.

O abolicionismo penal chega ao Brasil de modo definitivo na década de 1990. Nosso debate abolicionista foi principalmente influenciado por pensadores europeus. Louk Hulsman, Nils Christie e Thomas Mathiesen, autores recepcionados quase que canonicamente pelo abolicionismo penal brasileiro.

Recentemente, o abolicionismo ganhou novos espaços. Espaços não limitados pelo estreito horizonte do debate abolicionista nos centros acadêmicos de Direito. Neste contexto, e à luz de uma consciência anticolonial, anticapitalista e de denúncia do genocídio negro em curso, abriu-se espaços para conhecermos outros abolicionismos.

Pense-se no abolicionismo prisional estadunidense. Pense-se, principalmente, em Angela Davis, Ruth Wilson Gilmore. O abolicionismo prisional estadunidense possui uma riquíssima tradição. Um olhar atento às origens do novo abolicionismo estadunidense, a partir das lutas empenhadas pelos movimentos prisionais negros da década de 1960, nos EUA, chegará a conclusão de que o abolicionismo não surge primeiro na Europa, como costumeiramente é afirmado pela literatura abolicionista brasileira “canônica”, mas surge concomitantemente nos EUA e na Europa. Deve-se mencionar, inclusive, que os movimentos prisionais estadunidenses do final da década de 1960 e início de 1970 influenciaram em grande medida autores europeus como Thomas Mathiesen e Michel Foucault.

Não apenas mundos, mas existem universos abolicionistas a serem descobertos! E essa é a nossa missão, compartilhar esses universos abolicionistas com a militância abolicionista brasileira.

O abolicionismo vive e cresce! Acreditem, destruiremos as prisões!